Crônicas, contos e narrativas do passado, de gente que vive na ilha do Pico, ou estão espalhadas pelo mundo e tem muitas estórias para contar. Mande seu conto.

domingo, 20 de maio de 2012

O interessante Grupo dos Xatinhas no Facebook


Fiquei emocionado ao ver no Facebook o grupo dos Xatinhas e apesar da minha reconhecida dislexia e total incapacidade de memorizar nomes, reconhecer pessoas de minha família, os Xatinhas. Quisera eu, ter a memória e o conhecimento de estórias como minha mãe e principalmente o primo Francisco Medeiros. Sabemos que o tempo é o senhor da razão e que a história por sedimentação filosófica, acaba apurando a verdade. Há 15 anos, tive a oportunidade de encontrar um site sobre os Medeiros na ilha de Maui, no Havaí, que publicava nomes dos Medeiros pelo mundo com seus respectivos cargos. Quis ir mais longe e focar somente na minha ilha. O Pico. Hoje Francisco Medeiros tem material para lançar um livro e eu quero estar presente para cobrir tal evento. Assim, incentivado por muitos Xatinhas dentro do grupo vou publicar o links interessantes.
Texto enviado a Graça Medeiros nos comentários do Grupo.
"Obrigado Graça. Realmente a Fátima é uma das mais antigas leitoras do Blogg, que surgiu para incentiver minha mãe a escrever, já que tem uma memória de elefante. Ela é a autora do título "A Sombra do Vulcão". O amigo Manuel Carapinha, quando vivo, ainda escreveu alguns artigos. Mas foi o primo Francisco Medeiros que notabilizou-se com sua narrativa extremanete interessante. A intenção é deixar para a posteridade, estórias que a história esqueceu e que somente aqueles que as viveram, sabem. Queria deixar bem claro e fazer uma campanha para que aqueles que ainda guardam em suas memórias, algo interessante sobre o passado. que escrevam para mim, que eu publico. Não interessa o formato ou ortografia. Importante são os fatos. Sejam lendas ou narrativas. Meu email é davidavelargoulart@gmail.com.
URL (Link) dos Medeiros em Maui
http://www.maui.net/~makule/medhome.html
URL  (link) dos Xatinhas no Facebook
http://www.facebook.com/groups/359026244155911/

Meu avô Manuel Maria à direta

Normalmente, volta à ilha.

Abaixo uma foto para ilustrar esta publicação.

sexta-feira, 2 de março de 2012

ALBARCAS DA ILHA DO PICO E O USO DA NAVALHA

Autor: Francisco Medeiros
Na Ilha do Pico, até ao princípio do século XX, só as pessoas mais abastadas usavam calçado construído em oficinas de sapataria, existentes em todas as freguesias da Ilha ou vindos do continente por encomenda.
Os restantes habitantes, especialmente homens e as mulheres do Pico ligados aos trabalhos agrícolas, usavam albarcas que eles próprios confecionavam, de peles de porco e peles de vaca.
As albarcas são um típico calçado da Ilha do Pico e são confecionadas de uma tira de pele retângular. Nos ângulos virados para o pé são feitos uns furos onde prendem umas correias, que dando a volta aos artelhos fixam a albarcas aos pés.
                                        
Ainda conheci um homem de Prainha do Sul do Pico, que vendia tiras de sola couro de vaca destinadas à confeção de albarcas, preparadas por ele, que vendia em volta da Ilha, aos Domingos, junto às Igrejas, especialmente nas freguesias da Fronteira.
Cada agricultor possuía no mínimo dois pares albarcas, uma para os trabalhos nos campos e uma para os dias festivos ou para ir à missa. Com as albarcas, usavam meias de lã das ovelhas, que eles próprios criavam nos baldios, e que eram confecionadas pelas mulheres, nas cores branca ou cinzenta.
A razão do uso das albarcas pelos agricultores prendia-se com a natureza dos solos pedregosos da Ilha do Pico, muito infestada de silvados, que ainda hoje, invadem toda a Ilha.
Como curiosidade, tenho na minha posse fotografias com mais de cem anos onde se podem ver as mulheres do Faial descalças e as do Pico com albarcas. Esta circunstância explica-se porque sendo a Ilha do Pico a que tinha a maior área de cultivo de vinhas, infestadas pelos silvados, razão porque não era possível proceder à sua monda sem a proteção dos pés com albarcas e a mão esquerda com uma luva em pele porco, de cabra ou de ovelha.
À pergunta, porque é que quase todos os homens do Pico usavam navalha? Muita gente desconhece a razão. Só algum mais antigo saberá responder: Todo o Picaroto que usava albarcas não podia prescindir de uma navalha destinada a emendar as correias das albarcas, por isso todos a tinham.
Hoje as albarcas desapareceram do nosso quotidiano, são peças de museu, e só são usadas pelos Grupos Folclóricos, que as usam nas suas atuações, mostrando a todos que assistem, o calçado que foi usado por muitas gerações, durante séculos, pelos homens e mulheres desta Ilha.
A partir da quarta década do século XX grandes mudanças começam a acontecer nas indústrias do calçado como a troca do couro pela borracha e pelos materiais sintéticos especialmente para senhoras e crianças.
Há pouco mais de 60 anos as nossas filarmónicas, ainda usavam sapatos brancos em lona com o piso em borracha, quando vestiam as suas fardas brancas!
As próprias albarcas, foram reforçadas com borracha de pneus de automóveis, dando-lhes uma maior resistência e duração.
No decorrer da última metade do século XX, as albarcas foram desaparecendo dos pés dos trabalhadores agrícolas do Pico à medida que foram melhorando a sua situação económica. Hoje os agricultores têm acesso a uma diversidade de calçado para os usos mais convenientes. Na Ilha do Pico nos últimos trinta ou quarente anos, as oficinas de sapateiro foram desaparecendo e julgo que hoje não existe nenhuma aberta ao público. Sai mais barato comprar, gastar e deitar fora do que mandar reconstruir!
Vila de São Roque do Pico,
Fevereiro de 2012
 Email do Autor: Francisco Medeiros

domingo, 5 de fevereiro de 2012

AS LANCHAS DOS PILOTOS

Autor: Francisco Medeiros

Em, 5 de Janeiro de 2012, foi lançada à água, a nova lancha para o serviço de pilotagem, no Porto do Cais do Pico.
A Lancha denomina-se Alavro de Ornelas que foi nomeado Capitão do Donatário da ilha do Pico, por volta de 1460, mas nunca chegou na prática a tomar posse real da Ilha.
Os portos do Arquipélago do Açores, desde que começaram a ser escalados por navios à vela e a vapor com carreiras regulares, houve necessidade de dotá-los de indivíduos com conhecimentos práticos, dos portos. Estes práticos eram contratados de preferência de entre os experimentados mestres das embarcações que faziam tráfego nos portos.
Havia “Práticos dos Portos”em todos os portos do Arquipélago. Apenas os portos de abrigo de Ponta Delgada e Horta tinha um serviço de pilotagem permanente, com Pilotos Práticos, Patrões e Remadores.
O Porto da Horta, chegou a ter três guarnições, no tempo da Guerra II Guerra Mundial 1939/ 45 com um Piloto Mor, três Pilotos Práticos, Patrões e Remadores, com um serviço permanente de 24 horas dia. Para concorrer a Pilotos Práticos destes dois portos era necessário possuir carta de arrais, do tráfego local e praticar vários meses.
A primeira embarcação usada pelos Práticos do Porto da Horta, foi uma baleeira, que armava com quatro remos e foi oferecida de um de um navio à vela.
No fim do século XIX, os práticos já dispunham de uma canoa que também armando com quatro remos, mais bem apetrechada com palamenta, de acordo com o serviço a que se destinava.
Uma significativa parte dos remadores, e patrões do Porto da Horta foram recrutados nos portos da Fronteira do Pico na qualidade de assalariados do quadro da Capitania.
Levavam o Prático na canoa a remos, aos navios que pairavam fora da doca, muitas vezes com mau tempo, e depois de os navios entrarem na Baía eram eles que passavam as espias às bóias para amarrar os navios. No tempo o molhe não tinha condições para acostagem de navios.
Pelos portos das outras Ilhas, o prático, utilizava normalmente uma embarcação de pesca a remos, de boca aberta, limitava-se a indicar apenas o local onde o navio devia fundear, tendo em conta os fundos, as marés, a ondulação e os ventos dominantes.
Aqui no Cais do Pico Por volta de 1894 a Insulana foi obrigada a escalar o Porto do Cais do Pico, para fazer o serviço de passageiros e transporte de mala de correio, com a recomendação de não demorar mais de uma hora. Para isso foi contratado um prático do porto que era transportado numa pequena lancha a remos.
 Até aquela data os navios escalavam todas as Ilhas menos a Ilha do Pico. Sempre o mesmo, o Pico estava próxima do Faial ?.
Naquele tempo era utilizada uma embarcação de pesca a remos e mais tarde nos anos quarenta com uma embarcação do tráfego local de boca aberta motorizada, a “Veloz”, que também fazia o transporte de passageiros. Nos anos sessenta o Agente de navegação local passou a dispor de duas em embarcações, uma delas com cabine, que transportavam o prático e faziam o transporte local de passageiros.
 Em 1980, a parte acostável do molhe atingiu 92 metros de comprimento. A 11 de Abril daquele ano atracava o primeiro navio comercial “Georgius Roussos”para descarregar 2.000 toneladas de cimento para as obras do porto. A partir daquela data os navios passaram a atracar quando as condições do tempo o permitiam. O prático era transportado para bordo dos navios, nas embarcações “Gamo” e “Zeus” pertencentes ao agente de navegação local
Em Maio de 1983 foi colocado no Porto do Cais do Pico, um Piloto Prático, pertencente ao quadro da Capitania, que passou a usar uma embarcação de pesca motorizada até à aquisição de uma outra de maior porte pela JAPH, o “Gamo”. Esta embarcação sofreu várias reparações, durante as quais foi substituída por uma outra a “Elite”. Mais tarde e já neste século o “Gamo” deu lugar à lancha “Garça”. Esta última lancha, pertencia à base naval Inglesa estabelecida no Porto da Horta, na segunda Guerra Mundial nos anos quarenta. Foi cedida à Capitania do Porto da Horta, que a usou por largos anos nos serviços de pilotagem. Tinha uma característica rara para o tempo, o motor não tinha revés. Possuía à volta do hélice duas conchas em forma de meia-lua, ligadas a um eixo e este à cana do leme. As velocidades a ré e a vante eram manobradas por uma manivela.
Em Janeiro de 2001 os Pilotos Práticos dos Açores passaram para as Administrações Portuárias.
A nova lancha agora lançada ao mar é uma embarcação construída e própria para os serviços de pilotagem nos portos, oferece todas as condições para um serviço que se quer seguro, podendo abranger outras operações. 
Vila de São Roque do Pico
Janeiro de 2012
NOTA- O primeiro Prático do Porto do Cais do Pico, terá sido Manuel Emilo Herz, que era arrais do tráfego local, oficial baleeiro, e agente de navegação: Criou a Firma Manuel Emilio Herz, Ldª .agente de Navegação, que ainda hoje existe. Exerceu aquela função até à década quarenta e cinquenta. Este prático mereceu um louvor do Delegado Marítimo de São Roque do Pico, quando pela sua idade e estado de saúde já não permitia o exercício daquela função.
Foi substituído, por Tomé Rodrigues Carapinha, arrais do Tráfego Local, mestre da lancha “Veloz”, que além do serviço de prático fazia o transporte de passageiros e mala do correio.
Em 12 de Novembro de 1959, foi nomeado prático do porto do Cais do Pico pelo Capitão do Porto da Horta, o cabo-de-mar Francisco Andrade de Medeiros que passou a exercer aquele função de a partir de Janeiro de 1960. Função que exerceu em regime de acumulação até Maio de 1983.
Em Junho daquele ano o serviço de pilotagem passou a ser efectuado por um Piloto Prático, Leonardo Segmento Serpa, que passou a fazer parte do quadro da Capitania do Porto da Horta e colocado na Delegação Marítima de São Roque do Pico.
Em Janeiro de 2001 os Pilotos Práticos, dos Açores passaram a fazer parte dos quadros do pessoal das Administrações dos Portos do Açores, tendo sido integrados na Secretaria Regional da Economia.
O Piloto Pratico, Leonardo Sarmento Serpa, exerceu aquela função até 7 de Fevereiro do ano 2006, data em que passou à situação de reforma.
Se não estou em erro, ainda durante algum tempo continuou a exercer aquela função, até ser sido substituído por um Piloto com curso da Escola de Pilotagem.

sábado, 10 de dezembro de 2011

CINQUENTA ANOS DE INSTITUIÇÕES BANCÁRIAS

 Autor: Francisco Medeiros
Os Picarotos são por natureza um povo pacífico, que ao longo dos séculos nunca teve tempo para reivindicar direitos, que teimosamente lhes vão fugindo, nem se envolveu em actos menos aconselháveis, que pusessem em causa a sua honestidade e rectidão de princípios.
 Quem chegou a uma ilha com pedra por todos os lados e continuou corajosamente sem desistir, conseguindo sobreviver, prerrogativa de Homens de rija têmpera e ânimo, que ao longo dos anos foi moldando o seu carácter de sã convivência com os seus irmãos.
A gente do Pico é pacífica desde do seu povoamento e, sempre que foi confrontada com adversidades de vária ordem, soube sempre dar a volta por cima, não só quando as calamidades assolavam a ilha mas também quando eram explorados e saqueados por gente sem escrúpulos, em deferentes épocas.
Até aos nossos dias, muitas iniciativas económicas, algumas estranhas ao Pico, tiveram e tem nesta Ilha a fonte dos seus rendimentos, que vão dividindo com os naturais da Ilha.
Sempre assim foi desde épocas remotas: Nos vinhos, nas aguardentes, no óleo de baleia, na exportação de gado, na pesca, na construção naval,  exportação de madeiras e  sobretudo as remeças em dinheiro dos emigrantes pesavam  nas economias familiares. 
A partir da segunda metade do século XX a população do Pico sofreu uma grande transformação no viver das suas gentes. Foi o Vulcão do Capelinhos em 1957 que provocou uma onde de emigração de centenas de Picarotos. Os sismos de 1973 e 1998 que destruíram muitos lares, em várias freguesias da Ilha mas, apesar da situação calamitosa porque passaram muitas famílias, os planos de reconstrução das habitações vieram melhorar as condições de habitabilidade daquelas populações.
Com a revolução do 25 de Abril em 1974 e a consequente mudança do sistema governativo, fizeram-se grandes melhoramentos e investimentos, em pequenos portos da Ilha, a construção do porto comercial em S. Roque, o porto de Madalena e o aeroporto do Pico.
Procedeu-se à reconstrução e melhoramentos de alguns troços da Estrada Regional em toda a volta da Ilha. Construiu-se a estrada transversal e longitudinal do Pico. Abriram-se centenas de quilómetros de caminhos florestais e em consequência a agropecuária sofreu uma profunda transformação com os investimentos públicos e privados.
Todo o comércio da Ilha se modernizou com o aparecimento de novos produtos, ferramentas, materiais de construção e foram instalados supermercados.
Os Municípios sofreram grandes transformações, vieram para a rua, abriram arruamentos, as ruas andam limpas, procedeu-se há instalação domiciliária de água. Instalaram-se centrais de produção de energia eléctrica e construíram-se redes de distribuição domiciliária de electricidade.
Construíram-se novos edifícios escolares em toda a Ilha, e foi instalado o ensino secundário nos três concelhos. Acabou o vai e vem de alunos na travessia do Canal, todas as semanas.
Como não podia deixar de ser, aquela que foi a Caixa Económica Picoense, que ajudava os Picarotos, estabelecida do Concelho da Madalena e que funcionava com um só funcionário, expandiu a sua actividade pelos outros conselhos do Pico. Acabou por ser absorvida por uma Instituição Bancária de maior dimensão.
 No Tempo, a gente do Pico atravessava o Canal para contrair empréstimos no Banco de Portugal, onde, com muita frequência, o Gilberto levava as letras e o dinheiro para pagar as prestações. Era nas duas algibeiras de cima da “Froca” que transportava o dinheiro, fechadas com um alfinete de fralda.
Para apoiar todo aquele desenvolvimento, foram aparecendo na Ilha do Pico outras instituições bancárias. Hoje a ilha tem 8 instituições, que foram estabelecendo agências nas sedes dos Concelhos, havendo uma freguesia com dois balcões, a Piedade. Toda elas guarnecidas com funcionários, quase todos Picarotos e quando digo Picarotos, falo de gente honesta, simpática, com mostras dadas, que me aturam, conhecem todos os clientes e são deles conhecidos.
Não há notícia de ter havido, nesta Ilha qualquer tentativa de arrombamento ou assalto a qualquer instituição bancária, bem pelo contrário, temos notícias de assaltos a bancos, com pomposos nomes: desfalques, desvios, fraudes, comissões de gestão... mas, em outras paragens mais desenvolvidas e vindas do seu interior.
Vila de São Roque do Pico
Novembro de 2011
Email do Autor: Francisco Medeiros



domingo, 20 de novembro de 2011

OS TRANPORTES MAIS CAROS DO MUNDO E FALTA DE ESTRUTURAS NOS PORTOS


Autor: Francisco Medeiros

No final do mês de Setembro, mais precisamente no dia 26, pretendi deslocar-me da Terceira para o Pico, acompanhado de minha mulher, no voo Sata das 16:55 horas. Como estavam previstos fortes aguaceiros, inclusive à chegada ao Pico, preferia viajar de avião, por ser mais rápido e com a vantagem de ter garantidos, resguardos à saída e chegada, em vez de viajar no navio da Atlanticoline, como esta previsto inicialmente.

Cerca das 10:00 horas disquei o número para a loja de vendas da Sata mas, depois de várias tentativas, do outro lado da linha ninguém me atendeu! Possivelmente por terem fechado a loja! Tive a tentação de comunicar com um amigo que mora em Angra, ali perto, para ir lá fazer a marcação ou ver se estava alguém na loja, nem que fosse chegar junto à porta, ver um cartão muito em uso, VOLTO JÁ, nas lojas onde só há um único trabalhador.

Procurei outro número o 707227282, reservas e vendas. Pensei cá comigo, este número não parece das redes telefónicas dos Açores! Não estava em causa o custo da chamada mas sim a compra de duas passagens, para dois adultos. Disquei o número e qual não foi a minha satisfação, pela rapidez do atendimento. Do outro lado, ouço a voz de um homem a dar-me as boas vindas, em Português e depois a voz de uma mulher em Inglês. Imagine que até me perguntou se era cliente da Sata? Pois não conheço outra empresa a operar nos Açores! Mas eu estava completamente enganado. Era um atendedor de Chamadas. Indicou-me uma série de números que eu devia marcar no telefone, conforme o serviço que pretendia, a sua chamada vai ser atendida dentro de momentos! Depois voltou à cantilena anterior e eu estive para ali dependurado até que, quando estava para desistir, aparece a voz de uma funcionária, por sinal muito simpática, que finalmente me atendeu!
A marcação de passagens por aquele número não está acessível a todos os Açorianos, que utilizam os transportes aéreos no Arquipélago, pois uma grande parte não consegue marcar passagem por aquele sistema, só numa das lojas de vendas de passagens ou nos aeroportos!
Porque é que não põe um/a telefonista com presença física a atender chamadas e a encaminha-las para os diversos serviços. Olhem que não é muito caro, há muita gente desempregada que com o ordenado mínimo nacional 475,00€ formariam bicha para o concurso. Não era preciso aumentar o orçamento da empresa bastaria tirar aquela importância ao que dão a algum quadro superior do conselho de administração!
Quando do outro lado me atenderam, disse o que pretendia: Que não. Não havia passagens, o voo Terceira/Pico já estava cheio, só se quisesse ficar em lista de espera, mas para o dia seguinte tinha lugar etc…etc…à mesma hora. Que o custo de cada passagem era de (81 euros) Oitenta e um euros (16.200$00) dezasseis mil e duzentos escudos, mais não sei quanto....
Fazendo as contas por alto multiplicado por 60 passageiros, segundo a capacidade do avião, dá a módica quantia de (972.000$00), novecentos e setenta e dois mil escudos. Bom frete. Num percurso de cerca de 60 milhas com a duração de cerca de 30 minutos. Com mais uns pozinhos, dos que vinham de Ponta delgada, possivelmente rondariam o milhão de escudos?

Com 81,00€ euros compra-se uma passagem Sata Terceira-Pico. Apenas com 24 euros consegue-se comprar uma passagem Lisboa-Londres. Alguém me consegue explicar tão grande diferença? Será que os açorianos são mais tolerantes que os outros?

Naquele dia 26 tinha saído o navio de passageiros da Atlânticoline, de Ponta Delgada até à Horta.

Veio-me à memória a Agenda marítima da R.D.P. Açores , dos anos 50, em que o locutor Vitor Cruz noticiava: - Com escala para as Ilhas de Baixo saiu esta manhã do Porto de Ponta delgada, Paquete  Carvalho Araújo. Bons tempos, pelo menos havia navios de passageiros com escalas regulares todo o ano e em todas as Ilhas desde Santa Maria ao Corvo.

Sem outra alternativa, munido de uma passagem que me tinha custado 12,00€.ida e volta, embarquei naquele navio. Ao chegar a bordo verifiquei que possivelmente não tinha nem metade da sua lotação! Como é que havia tanta gente para encher um voo Terceira Pico, naquele dia 26?

Ainda gostava de saber quantas pessoas embarcaram na Terceira com destino ao Pico, no dia 26. Até era possível o voo estar cheio. Cheio com aqueles passageiros que, embora não queiram viajar nos transportes mais caros do mundo, estão presos pelo queixo, se não, não chegam a lado nenhum: - E é se queres, ou vai a nado! São os que vem das ligações com outros voos, que chegam ao destino e, por vezes as malas teimam em não acompanha-los. Que ficam a secar, pelos aeroportos à espera do voo, que vão aos restaurantes e utilizam o os transportes terrestres, dando um ar cosmopolita às capitais de Distrito.
Distritos que no aspecto socioeconómico continuam a existir, quando o governo se prepara para acabar com os Distritos no continente que, como disse um político comentador de TV: Não servem para nada, só servem para passar umas licenças a estabelecimentos comerciais. Só tem arruinado o erário Público e, os estabelecimentos comerciais têm acabado na falência?

Como estava previsto a situação meteorológica, não falhou! Pouco depois de o navio atracar, cerca das 22.00 horas e logo após os passageiros e as respectivas bagagens terem saído na rampa de lançamento do navio, que por sinal oferece um rápido embarque e desembarque dos passageiros, veio um forte aguaceiro que encharcou todos os passageiros. Parecia um pandemónio. Toda aquela gente, encharcada, à procura das suas bagagens que apesar de cobertas, no carro que as transportou para o cais acabaram por ficar todas alagadas!
De onde os passageiros desembarcam até alcançarem os transportes, são umas dezenas de metros e enquanto não se fizerem instalações convenientes para apoio ao embarque e desembarque de passageiros nos portos dos Arquipélago, vamos continuar a ficar ensopados, com todas as consequências para a saúde das pessoas, que possam advir.

O que ali se passou poderia ter sido evitado com um abrigo para passageiros construído com uns pilares e uma placa em betão armado apoiada no muro de cortina de brigo ao molhe! O piso, em S. Roque do Pico, tem 25 metros de largura e nos outros portos a largura é sensivelmente a mesma ou mais e o abrigo não prejudicaria as operações de carga.

Esta carência existe em todos os portos de escala dos navios de passageiros: Na Praia da Vitoria, na Praia da Graciosa, nas Velas, em São que do Pico, na Horta e Lajes das Flores. Possivelmente o mesmo não acontece em Ponta Delgada, nas tão faladas portas do mar que não conheço pois nunca lá estive.
Em S. Roque do Pico e na Praia de Vitória foram inaugurados uns pequenos edifícios onde vendem bilhetes – chamam aquilo gares marítimas? Estas instalações, têm muito que se lhes diga quando chove, pela incomportável capacidade, para passageiros e bagagens.
É que para vender bilhetes bastava uma barraca igual à que o Júlio Marcos vendia bilhetes, há mais de sessenta anos no Porto da Madalena.
Vila de São Roque do Pico
Setembro 26

- Nota do WebMaster: Incrivel! Aqui no Brasil é mesma coisa. Vamos competir pela melhor incompetência e pelos custos mais altos do mundo.
Emanuel David Avelar Goulart